Síndrome das pernas inquietas: sintomas, causas e tratamento
Dr. Carlos Mendes
Neurologista — CRM 23456
A Síndrome das Pernas Inquietas (SPI) é um distúrbio neurológico sensório-motor que afeta 5 a 10% da população adulta — e é uma das causas mais subestimadas de insônia. Quem tem SPI sente um desconforto irresistível nas pernas (às vezes também nos braços), principalmente ao deitar ou permanecer em repouso por mais tempo, que melhora com o movimento. Isso torna o adormecimento e a manutenção do sono extremamente difíceis.
A SPI causa insônia:
A Síndrome das Pernas Inquietas causa insônia — especialmente insônia de iniciação (dificuldade de adormecer). A sensação desagradável nas pernas surge exatamente quando o corpo começa a relaxar para dormir, tornando o repouso impossível. Muitos pacientes passam horas caminhando pelo quarto antes de conseguir dormir.
Sintomas característicos — os critérios diagnósticos:
Para o diagnóstico de SPI, os 5 critérios devem estar presentes:
- Desejo irresistível de mover as pernas, geralmente acompanhado de sensações desagradáveis (formigamento, "bichinhos andando", queimação, tensão)
- As sensações surgem ou pioram no repouso (deitar, sentar)
- As sensações melhoram parcial ou totalmente com o movimento (caminhar, esticar as pernas)
- As sensações são piores à tarde ou à noite (padrão circadiano)
- Os sintomas não se explicam por outra condição médica (câimbras, artrite, posição)
Causas da SPI — primária e secundária:
- SPI primária (idiopática): causa genética, frequentemente hereditária, sem doença de base identificada
- SPI secundária: causada por outra condição. As mais comuns:
- Deficiência de ferro (ferritina < 50 ng/mL) — causa mais comum e tratável
- Insuficiência renal crônica (hemodiálise)
- Gravidez (especialmente 3º trimestre)
- Neuropatia periférica (diabetes, alcoolismo)
- Medicamentos: antidepressivos (especialmente ISRS), antipsicóticos, metoclopramida, anti-histamínicos
Diagnóstico:
O diagnóstico é clínico, baseado nos 5 critérios acima. Exames úteis: ferritina sérica (investigar deficiência de ferro), hemograma, ureia e creatinina (excluir doença renal), glicemia (neuropatia diabética).
A polissonografia pode ser indicada para avaliar Movimentos Periódicos dos Membros no Sono (PLMS), que frequentemente acompanham a SPI.
Tratamento:
Corrigir causas secundárias:
- Suplementação de ferro oral ou IV se ferritina < 50 ng/mL — frequentemente resolve ou melhora muito a SPI
- Ajustar medicamentos que causam ou pioram a SPI
Medidas não farmacológicas:
- Massagem e alongamento das pernas antes de dormir
- Banho quente ou compressa nas pernas
- Exercício regular (moderado — excessivo pode piorar)
- Evitar cafeína, álcool e privação de sono
Farmacoterapia:
- Agonistas dopaminérgicos (pramipexol, ropinirol): primeira linha para casos moderados a graves
- Gabapentinoides (gabapentina, pregabalina): especialmente se há dor associada
- Opioides de baixa dose: casos graves refratários
Consulte neurologista online pela Pro Life para avaliação da SPI.
Referências:
- Allen RP et al. Restless legs syndrome/Willis-Ekbom disease: diagnostic criteria. Sleep Med. 2014.
- Associação Brasileira do Sono. Consenso Brasileiro de SPI. 2022.
Aviso: Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Em caso de sintomas, procure um profissional de saúde.