Saúde Infantil

    Pneumonia: sintomas, antibióticos e quando internar

    DR

    Dr. Rafael Santos

    Pediatra — CRM 45678

    21 Abr 20267 min de leitura
    Revisado por Dr. Rafael Santos Pediatra — CRM 45678
    Pneumonia: sintomas, antibióticos e quando internar

    A pneumonia é uma das principais causas de morte em crianças menores de 5 anos no mundo — responsável por cerca de 800 mil óbitos por ano, segundo a OMS. No Brasil, é a doença infecciosa que mais leva à internação pediátrica. Reconhecer os sinais precocemente, saber quando usar antibiótico e quando a hospitalização é necessária pode salvar vidas.

    A pneumonia é tratada com antibióticos:

    A pneumonia bacteriana é tratada com antibióticos — essa distinção é crucial. Nem toda pneumonia é bacteriana: vírus (VSR, influenza, adenovírus, SARS-CoV-2) causam pneumonia viral que não responde a antibióticos. O desafio clínico é diferenciar.

    Características que sugerem etiologia bacteriana (e indicam antibiótico): início com febre alta (≥38,5°C), lobar (afeta um lobo pulmonar), leucocitose intensa com desvio para esquerda, proteína C reativa elevada. Características virais: início mais gradual, sibilância frequente, acometimento intersticial bilateral.

    Na prática pediátrica ambulatorial, como a distinção é difícil sem exames, crianças com diagnóstico clínico de pneumonia geralmente recebem antibiótico empírico.

    Febre causa pneumonia — ou é sintoma?

    A febre não causa pneumonia — é uma resposta imune do organismo à infecção. Mas a pneumonia causa febre alta e persistente como seu sintoma cardinal. Uma criança com febre há mais de 3 dias sem melhora, especialmente com tosse e taquipneia, deve ter pneumonia investigada.

    Sintomas da pneumonia em crianças:

    Sintomas principais:

    • Febre alta (geralmente ≥38,5°C) — persistente por mais de 3 dias
    • Tosse — produtiva (catarro), mas pode ser seca no início
    • Taquipneia (respiração acelerada): o sinal mais sensível de pneumonia
      • < 2 meses: ≥60 incursões/minuto
      • 2-11 meses: ≥50 irpm
      • 1-5 anos: ≥40 irpm
      • 5 anos: ≥30 irpm

    • Tiragem (retração intercostal, subcostal, supraesternal): indica dificuldade respiratória

    Sintomas de gravidade:

    • Cianose (lábios/unhas azulados)
    • Gemência (ruído expiratório involuntário)
    • Recusa alimentar total
    • Alteração do nível de consciência (letargia, não acorda)

    Diagnóstico:

    • Clínico: ausculta com crepitações (estertores), redução do murmúrio vesicular, macicez à percussão
    • Radiografia de tórax: não obrigatória para todos, mas confirma o diagnóstico e identifica complicações (derrame pleural, pneumatocele). Indicada em casos moderados/graves ou sem melhora com tratamento.
    • Hemograma + PCR: ajuda a diferenciar viral de bacteriana; orienta gravidade
    • Pulse oximetry (oxímetro de pulso): essencial — SpO2 < 94% indica hipoxemia e internação

    Tratamento ambulatorial:

    Para pneumonia leve a moderada sem hipoxemia e com boa tolerância oral:

    • Antibiótico de escolha: amoxicilina (45-90 mg/kg/dia, 2-3x/dia) por 7-10 dias. Cobre bem Streptococcus pneumoniae (pneumococo), o agente mais comum.
    • Pneumonia atípica (Mycoplasma pneumoniae — mais frequente em > 5 anos, com quadro arrastado e "tosse que não passa"): azitromicina por 5 dias.
    • Analgésico/antipirético para conforto
    • Hidratação adequada

    Critérios de internação — quando hospitalizar:

    A internação por pneumonia é indicada quando o plano prevê suporte que não é possível em casa. Critérios:

    • Hipoxemia: SpO2 ≤ 94% em ar ambiente
    • Idade < 2 meses (pneumonia é sempre grave em neonatos)
    • Dificuldade respiratória moderada a grave (tiragem intensa, gemência)
    • Complicações: derrame pleural, pneumatocele, empiema
    • Falha do tratamento ambulatorial em 48-72h
    • Incapacidade de ingerir medicação oral (vômitos, recusa)
    • Condições de risco: cardiopatia, imunodeficiência, desnutrição grave
    • Contexto social que não permite monitoramento adequado em casa

    Os planos de saúde cobrem internação por pneumonia quando indicada clinicamente — é cobertura obrigatória pela ANS.

    Prevenção:

    • Vacina pneumocócica (PCV13 + PPV23): previne pneumonia pneumocócica, a mais grave e mais comum
    • Vacina Hib (contra Haemophilus influenzae tipo b): incluída no calendário básico
    • Vacina influenza anual: reduz pneumonia viral por influenza e secundarismo bacteriano
    • Aleitamento materno exclusivo até 6 meses
    • Evitar fumo passivo em casa

    Teleconsulta para pneumonia:

    A teleconsulta com pediatra é adequada para avaliação inicial de febre + tosse em crianças com estado geral preservado. O médico orienta se é possível tratar em casa ou se há necessidade de pronto-socorro com radiografia e oximetria. Consulte pediatra pela Pro Life — disponível 24h.

    Referências:

    • Sociedade Brasileira de Pediatria. Pneumonia Adquirida na Comunidade. 2023.
    • WHO. Revised WHO classification and treatment of childhood pneumonia. 2014.
    • Bradley JS et al. The Management of Community-Acquired Pneumonia in Infants and Children. Clin Infect Dis. 2011.

    Aviso: Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Em caso de sintomas, procure um profissional de saúde.

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