Saúde Geral

    Infarto e dor no peito: quando é emergência e como agir

    DA

    Dra. Ana Oliveira

    Clínica Geral — CRM 12345

    21 Abr 20267 min de leitura
    Revisado por Dra. Ana Oliveira Clínica Geral — CRM 12345
    Infarto e dor no peito: quando é emergência e como agir

    A dor no peito é um dos sintomas mais angustiantes que uma pessoa pode sentir — e com razão. Embora a maioria dos casos de dor torácica não seja causada por infarto, identificar corretamente quando ela representa uma emergência cardíaca pode ser a diferença entre a vida e a morte. O infarto agudo do miocárdio mata mais de 300 mil brasileiros por ano, e a rapidez do atendimento é o principal determinante do prognóstico. Neste artigo, você vai aprender a reconhecer os sinais, entender os fatores de risco e saber exatamente o que fazer.

    O que causa o infarto do miocárdio:

    O infarto ocorre quando uma artéria coronária — que irriga o músculo cardíaco (miocárdio) — é bloqueada, geralmente por ruptura de uma placa aterosclerótica com formação de coágulo. Sem sangue e oxigênio, as células do miocárdio começam a morrer em minutos. Quanto maior a área afetada e mais tempo sem tratamento, maior o dano permanente ao coração.

    A hipertensão arterial é o principal fator de risco modificável para infarto — ela acelera a formação de placas nas artérias e aumenta a sobrecarga cardíaca. Doenças cardiovasculares como angina, insuficiência cardíaca e arritmias frequentemente antecedem o infarto. O diabetes mellitus aumenta 2 a 4 vezes o risco de infarto, especialmente em mulheres. Tabagismo, obesidade, sedentarismo, colesterol elevado e histórico familiar são outros fatores críticos.

    A dor no peito do infarto — como reconhecer:

    A dor clássica do infarto é descrita como:

    • Pressão, aperto ou "peso" no centro do peito
    • Irradiação para o braço esquerdo, mandíbula, pescoço, ombros ou costas
    • Associada a suor frio, náuseas, palidez, falta de ar e tontura
    • Duração superior a 15-20 minutos
    • Não alivia com mudança de posição ou respiração

    Mas atenção: o infarto nem sempre se apresenta de forma clássica, especialmente em mulheres, idosos e diabéticos, que podem ter sintomas atípicos como: dor abdominal, cansaço extremo, falta de ar sem dor, mal-estar inespecífico, desmaio ou apenas tontura.

    A "dor no peito" que não é infarto — mas exige atenção:

    A dor no peito pode ter dezenas de causas além do infarto. Entre as mais comuns estão:

    • Angina estável: dor relacionada a esforço físico que melhora com repouso — indica obstrução parcial da coronária
    • Ansiedade e síndrome do pânico: dor atípica, muitas vezes associada a palpitações, formigamentos e sensação de morte iminente
    • Refluxo gastroesofágico: dor em queimação que piora após refeições e ao deitar
    • Costocondrite e dor musculoesquelética: dor que piora à palpação da parede torácica
    • Embolia pulmonar: dor pleurítica (piora ao inspirar) com falta de ar súbita — também é emergência
    • Pericardite: dor que melhora ao sentar e inclinar para frente

    Mesmo que você suspeite de ansiedade ou problema muscular, nunca ignore dor no peito intensa ou dor nova — sempre busque avaliação médica.

    Quando ligar imediatamente para o SAMU (192):

    Ligue para o SAMU ou vá ao pronto-socorro sem demora se a dor no peito:

    • É intensa, em aperto, e dura mais de 5 minutos
    • Irradia para braço, mandíbula ou costas
    • Vem acompanhada de suor frio, náusea ou falta de ar
    • Surge em repouso (sem esforço físico)
    • Ocorre em pessoa com fatores de risco cardiovascular conhecidos (hipertensão, diabetes, tabagismo)
    • É a pior dor do peito que a pessoa já sentiu

    O que fazer enquanto espera o socorro:

    1. Sente ou deite o paciente em posição confortável — não deixe ele andar
    2. Afrouxe roupas que dificultem a respiração
    3. Não dê medicamentos sem orientação médica (salvo se o paciente usa nitrato prescrito pelo cardiologista)
    4. Anote o horário do início dos sintomas — crucial para o tratamento
    5. Se o paciente perder a consciência e parar de respirar: inicie RCP (30 compressões no centro do peito seguidas de 2 respirações) enquanto espera o socorro
    6. Não dirija — o SAMU inicia o protocolo cardíaco no trajeto

    Tratamento do infarto — a importância do tempo:

    O tratamento padrão-ouro para infarto com supradesnivelamento de ST (IAMCSST) é a angioplastia primária (cateterismo com desobstrução imediata da artéria) — idealmente realizada em menos de 90 minutos do primeiro contato médico. Quando a angioplastia não está disponível, a trombólise química (dissolução do coágulo por medicamentos) deve ser feita em até 12 horas do início dos sintomas.

    Após o infarto, o acompanhamento com cardiologia é fundamental: uso de antiagregantes plaquetários, estatinas, betabloqueadores e inibidores da ECA fazem parte do tratamento padrão para prevenção de novos eventos.

    Prevenção cardiovascular — o que a cardiologia recomenda:

    A maioria dos infartos é evitável com controle rigoroso dos fatores de risco:

    • Manter a hipertensão controlada (abaixo de 130/80 mmHg)
    • Controlar o diabetes e a dislipidemia
    • Praticar exercício físico regular (150 minutos/semana de atividade moderada)
    • Parar de fumar — o risco cardiovascular começa a cair em 24 horas após parar
    • Manter peso saudável e alimentação equilibrada
    • Realizar check-up cardiológico periódico com eletrocardiograma, ecocardiograma e exames laboratoriais

    Teleconsulta na prevenção e acompanhamento cardiológico:

    A teleconsulta com clínico geral ou cardiologista é ideal para: avaliação de sintomas de baixo risco, acompanhamento de pressão e glicemia, ajuste de medicações, interpretação de exames e orientação sobre mudanças de estilo de vida.

    Conheça os planos da Pro Life e tenha acesso a cardiologista e clínico geral online — prevenção cardiovascular acessível para você e sua família.

    Perguntas frequentes:

    Jovens podem ter infarto? Sim. O uso de cocaína e anfetaminas causa vasoespasmo coronariano e pode provocar infarto em jovens sem placas ateroscleróticas. Doenças genéticas como hipercolesterolemia familiar também causam infarto precoce.

    Aspirina deve ser dada na suspeita de infarto? Apenas se o médico orientar ou se o paciente já usa aspirina prescrita. Aspirina não prescrita pode ser prejudicial em certas situações (ex.: hemorragia). Siga a orientação do SAMU.

    Infarto durante o sono acontece? Sim — e é comum. O período entre 6h e 12h da manhã tem maior incidência de infarto, devido a variações circadianas de pressão, frequência cardíaca e agregação plaquetária.

    Referências bibliográficas:

    • Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretriz de Infarto Agudo do Miocárdio com Supradesnivelamento do ST. 2024.
    • Ibanez B et al. 2017 ESC Guidelines for the management of acute myocardial infarction. Eur Heart J. 2018.
    • Ministério da Saúde. Linha de Cuidado do Infarto Agudo do Miocárdio. 2022.

    Aviso: Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Em caso de sintomas, procure um profissional de saúde.

    Revisado por Dra. Ana Oliveira Clínica Geral — CRM 12345

    Precisa de orientação médica?

    Fale com um profissional sem sair de casa.

    Agendar consulta