Infarto e dor no peito: quando é emergência e como agir
Dra. Ana Oliveira
Clínica Geral — CRM 12345
A dor no peito é um dos sintomas mais angustiantes que uma pessoa pode sentir — e com razão. Embora a maioria dos casos de dor torácica não seja causada por infarto, identificar corretamente quando ela representa uma emergência cardíaca pode ser a diferença entre a vida e a morte. O infarto agudo do miocárdio mata mais de 300 mil brasileiros por ano, e a rapidez do atendimento é o principal determinante do prognóstico. Neste artigo, você vai aprender a reconhecer os sinais, entender os fatores de risco e saber exatamente o que fazer.
O que causa o infarto do miocárdio:
O infarto ocorre quando uma artéria coronária — que irriga o músculo cardíaco (miocárdio) — é bloqueada, geralmente por ruptura de uma placa aterosclerótica com formação de coágulo. Sem sangue e oxigênio, as células do miocárdio começam a morrer em minutos. Quanto maior a área afetada e mais tempo sem tratamento, maior o dano permanente ao coração.
A hipertensão arterial é o principal fator de risco modificável para infarto — ela acelera a formação de placas nas artérias e aumenta a sobrecarga cardíaca. Doenças cardiovasculares como angina, insuficiência cardíaca e arritmias frequentemente antecedem o infarto. O diabetes mellitus aumenta 2 a 4 vezes o risco de infarto, especialmente em mulheres. Tabagismo, obesidade, sedentarismo, colesterol elevado e histórico familiar são outros fatores críticos.
A dor no peito do infarto — como reconhecer:
A dor clássica do infarto é descrita como:
- Pressão, aperto ou "peso" no centro do peito
- Irradiação para o braço esquerdo, mandíbula, pescoço, ombros ou costas
- Associada a suor frio, náuseas, palidez, falta de ar e tontura
- Duração superior a 15-20 minutos
- Não alivia com mudança de posição ou respiração
Mas atenção: o infarto nem sempre se apresenta de forma clássica, especialmente em mulheres, idosos e diabéticos, que podem ter sintomas atípicos como: dor abdominal, cansaço extremo, falta de ar sem dor, mal-estar inespecífico, desmaio ou apenas tontura.
A "dor no peito" que não é infarto — mas exige atenção:
A dor no peito pode ter dezenas de causas além do infarto. Entre as mais comuns estão:
- Angina estável: dor relacionada a esforço físico que melhora com repouso — indica obstrução parcial da coronária
- Ansiedade e síndrome do pânico: dor atípica, muitas vezes associada a palpitações, formigamentos e sensação de morte iminente
- Refluxo gastroesofágico: dor em queimação que piora após refeições e ao deitar
- Costocondrite e dor musculoesquelética: dor que piora à palpação da parede torácica
- Embolia pulmonar: dor pleurítica (piora ao inspirar) com falta de ar súbita — também é emergência
- Pericardite: dor que melhora ao sentar e inclinar para frente
Mesmo que você suspeite de ansiedade ou problema muscular, nunca ignore dor no peito intensa ou dor nova — sempre busque avaliação médica.
Quando ligar imediatamente para o SAMU (192):
Ligue para o SAMU ou vá ao pronto-socorro sem demora se a dor no peito:
- É intensa, em aperto, e dura mais de 5 minutos
- Irradia para braço, mandíbula ou costas
- Vem acompanhada de suor frio, náusea ou falta de ar
- Surge em repouso (sem esforço físico)
- Ocorre em pessoa com fatores de risco cardiovascular conhecidos (hipertensão, diabetes, tabagismo)
- É a pior dor do peito que a pessoa já sentiu
O que fazer enquanto espera o socorro:
- Sente ou deite o paciente em posição confortável — não deixe ele andar
- Afrouxe roupas que dificultem a respiração
- Não dê medicamentos sem orientação médica (salvo se o paciente usa nitrato prescrito pelo cardiologista)
- Anote o horário do início dos sintomas — crucial para o tratamento
- Se o paciente perder a consciência e parar de respirar: inicie RCP (30 compressões no centro do peito seguidas de 2 respirações) enquanto espera o socorro
- Não dirija — o SAMU inicia o protocolo cardíaco no trajeto
Tratamento do infarto — a importância do tempo:
O tratamento padrão-ouro para infarto com supradesnivelamento de ST (IAMCSST) é a angioplastia primária (cateterismo com desobstrução imediata da artéria) — idealmente realizada em menos de 90 minutos do primeiro contato médico. Quando a angioplastia não está disponível, a trombólise química (dissolução do coágulo por medicamentos) deve ser feita em até 12 horas do início dos sintomas.
Após o infarto, o acompanhamento com cardiologia é fundamental: uso de antiagregantes plaquetários, estatinas, betabloqueadores e inibidores da ECA fazem parte do tratamento padrão para prevenção de novos eventos.
Prevenção cardiovascular — o que a cardiologia recomenda:
A maioria dos infartos é evitável com controle rigoroso dos fatores de risco:
- Manter a hipertensão controlada (abaixo de 130/80 mmHg)
- Controlar o diabetes e a dislipidemia
- Praticar exercício físico regular (150 minutos/semana de atividade moderada)
- Parar de fumar — o risco cardiovascular começa a cair em 24 horas após parar
- Manter peso saudável e alimentação equilibrada
- Realizar check-up cardiológico periódico com eletrocardiograma, ecocardiograma e exames laboratoriais
Teleconsulta na prevenção e acompanhamento cardiológico:
A teleconsulta com clínico geral ou cardiologista é ideal para: avaliação de sintomas de baixo risco, acompanhamento de pressão e glicemia, ajuste de medicações, interpretação de exames e orientação sobre mudanças de estilo de vida.
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Perguntas frequentes:
Jovens podem ter infarto? Sim. O uso de cocaína e anfetaminas causa vasoespasmo coronariano e pode provocar infarto em jovens sem placas ateroscleróticas. Doenças genéticas como hipercolesterolemia familiar também causam infarto precoce.
Aspirina deve ser dada na suspeita de infarto? Apenas se o médico orientar ou se o paciente já usa aspirina prescrita. Aspirina não prescrita pode ser prejudicial em certas situações (ex.: hemorragia). Siga a orientação do SAMU.
Infarto durante o sono acontece? Sim — e é comum. O período entre 6h e 12h da manhã tem maior incidência de infarto, devido a variações circadianas de pressão, frequência cardíaca e agregação plaquetária.
Referências bibliográficas:
- Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretriz de Infarto Agudo do Miocárdio com Supradesnivelamento do ST. 2024.
- Ibanez B et al. 2017 ESC Guidelines for the management of acute myocardial infarction. Eur Heart J. 2018.
- Ministério da Saúde. Linha de Cuidado do Infarto Agudo do Miocárdio. 2022.
Aviso: Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Em caso de sintomas, procure um profissional de saúde.