Saúde Geral

    Conjuntivite: tipos, sintomas, tratamento e prevenção

    DA

    Dra. Ana Oliveira

    Clínica Geral — CRM 12345

    23 Abr 20268 min de leitura
    Revisado por Dra. Ana Oliveira Clínica Geral — CRM 12345
    Conjuntivite: tipos, sintomas, tratamento e prevenção

    A conjuntivite é uma das condições oculares mais comuns no mundo e, no Brasil, um dos principais motivos de consulta em pronto-socorro e unidades básicas de saúde. Caracterizada pela inflamação da conjuntiva — a membrana transparente que reveste a parte branca do olho e o interior das pálpebras — ela causa vermelhidão, lacrimejamento e, dependendo do tipo, secreção ocular de características bem distintas.

    Entender o tipo de conjuntivite que você tem é fundamental porque os tratamentos são completamente diferentes: a conjuntivite viral não tem cura com colírios antibióticos (e usá-los sem indicação é prejudicial), a conjuntivite bacteriana responde bem a antibióticos tópicos, e a conjuntivite alérgica exige antihistamínicos e evitar o alérgeno.

    Os três principais tipos de conjuntivite:

    1. Conjuntivite Viral

    É a forma mais comum, representando cerca de 80% dos casos de conjuntivite aguda. É altamente contagiosa e causada frequentemente pelo adenovírus, mas também pode ser causada por herpes simplex (mais grave), enterovírus e o próprio SARS-CoV-2 (COVID-19).

    Características:

    • Início em um olho, frequentemente se espalhando para o outro em 1-2 dias
    • Secreção aquosa (lacrimejamento intenso), raramente purulenta
    • Vermelhidão intensa
    • Sensação de areia nos olhos
    • Fotofobia (sensibilidade à luz) em casos mais intensos
    • Frequentemente associada a quadro de resfriado ou gripe (infecção das vias aéreas superiores)
    • Pode haver inchaço dos gânglios linfáticos na frente do ouvido (pré-auricular)

    Duração: 7 a 14 dias para resolução espontânea. Não existe tratamento antiviral específico (exceto para herpes ocular). O tratamento é sintomático: compressas frias, lágrima artificial e higiene rigorosa.

    2. Conjuntivite Bacteriana

    Mais comum em crianças do que em adultos. Os principais agentes são Staphylococcus aureus, Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae e Moraxella catarrhalis. Em recém-nascidos e adolescentes sexualmente ativos, considerar também Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis.

    Características:

    • Secreção purulenta (amarela ou esverdeada), abundante
    • Pálpebras coladas pela manhã ("olho colado")
    • Vermelhidão em toda a conjuntiva
    • Menos lacrimejamento e mais secreção do que na viral
    • Geralmente começa em um olho mas pode afetar os dois
    • Sem sintomas sistêmicos associados

    Tratamento: colírios ou pomadas antibióticas (tobramicina, ciprofloxacino, sulfacetamida) por 5 a 7 dias. Na maioria dos casos leves, a conjuntivite bacteriana resolve espontaneamente em 1 a 2 semanas, mas o antibiótico acelera a cura e reduz a transmissão.

    3. Conjuntivite Alérgica

    Não é infecciosa, portanto não é contagiosa. Ocorre em pessoas com predisposição alérgica (rinite alérgica, asma, eczema atópico) em contato com alérgenos como pólen, ácaros, pelos de animais, cosméticos ou lentes de contato.

    Características:

    • Coceira intensa — o sintoma dominante e mais característico
    • Lacrimejamento bilateral (os dois olhos ao mesmo tempo)
    • Vermelhidão
    • Inchaço das pálpebras
    • Frequentemente associada a coriza, espirros ou outros sintomas alérgicos
    • Piora em estações com alto teor de pólen (primavera)
    • Sem secreção purulenta

    Tratamento: anti-histamínicos tópicos (colírios de cetirizina, olopatadina, cetotifeno) e orais, estabilizadores de mastócitos, corticoides tópicos em casos graves (sempre com prescrição e acompanhamento médico — o uso prolongado de corticoide ocular aumenta o risco de glaucoma e catarata).

    Tabela comparativa: como diferenciar os tipos:

    CaracterísticaViralBacterianaAlérgica
    SecreçãoAquosaPurulenta (amarela)Aquosa ou mucosa
    CoceiraLeveLeveIntensa
    Pálpebras coladasRaramenteSimNão
    ContagiosoAltamenteSimNão
    Olhos afetados1→21 ou 2Ambos
    Sintomas sistêmicosFrequentes (gripe)RarosRinite, asma
    Duração7–14 dias5–10 diasEnquanto houver exposição

    Conjuntivite neonatal: atenção especial:

    A conjuntivite neonatal (ophthalmia neonatorum) ocorre nas primeiras 4 semanas de vida e pode ser causada por Neisseria gonorrhoeae ou Chlamydia trachomatis adquiridos durante o parto. É uma emergência oftalmológica: a forma gonocócica pode causar perfuração corneal e cegueira em 24-48 horas se não tratada. Todo recém-nascido com secreção ocular deve ser avaliado por médico imediatamente.

    Quando buscar atendimento médico:

    A maioria das conjuntivites pode ser avaliada por telemedicina — o médico consegue orientar o tratamento baseado na descrição dos sintomas e, em alguns casos, com fotos do olho afetado. Mas procure atendimento presencial e com urgência se:

    • Dor ocular intensa (não apenas desconforto)
    • Perda ou redução da visão
    • Fotofobia intensa
    • Lesão na córnea visível (opacidade, mancha branca)
    • Suspeita de conjuntivite por herpes (úlceras ao redor dos olhos)
    • Uso de lentes de contato (risco aumentado de úlcera de córnea)
    • Recém-nascido com secreção ocular
    • Piora após 3-4 dias de tratamento
    • Imunodeprimidos

    Prevenção e cuidados para não transmitir:

    A conjuntivite viral e bacteriana são altamente contagiosas. Para evitar transmissão:

    • Lavar as mãos com frequência — especialmente após tocar nos olhos
    • Não compartilhar toalhas, travesseiros, maquiagem ocular ou colírios
    • Trocar a fronha diariamente durante o episódio
    • Evitar coçar os olhos — a coceira espalha o vírus para outros objetos
    • Afastamento escolar e do trabalho por pelo menos 24 horas após início do tratamento (bacteriana) ou enquanto houver secreção intensa (viral)
    • Descartar lentes de contato utilizadas durante o episódio
    • Não usar colírios "vermelhidão" (vasoconstritores) por mais de 3 dias — causam efeito rebote

    Uso de colírios sem prescrição — riscos:

    Muitas pessoas recorrem a colírios antibióticos "por conta própria" ao sinal de olho vermelho. Isso é problemático por duas razões:

    1. Conjuntivite viral (80% dos casos) não responde a antibióticos — você usa o medicamento sem necessidade, gasta dinheiro e contribui para resistência bacteriana
    2. Colírios com corticoide usados sem prescrição podem agravar infecções herpéticas e aumentar a pressão intraocular

    A avaliação médica — mesmo que online — permite identificar o tipo de conjuntivite e indicar o tratamento correto.

    Telemedicina para conjuntivite:

    A teleconsulta é especialmente útil para conjuntivite por sua praticidade. Com uma boa descrição dos sintomas e fotos do olho afetado, o médico consegue:

    • Diferenciar viral, bacteriana e alérgica na maioria dos casos
    • Prescrever colírio adequado quando necessário
    • Orientar medidas de higiene e prevenção de contágio
    • Indicar se há necessidade de avaliação presencial com oftalmologista

    Consulte um médico online agora para avaliação rápida e orientação sobre o tratamento correto da sua conjuntivite.

    Referências Bibliográficas:

    • Azari AA, Barney NP. Conjunctivitis: a systematic review of diagnosis and treatment. JAMA. 2013.
    • Sociedade Brasileira de Oftalmologia. Conjuntivite: diagnóstico e tratamento. 2024.
    • American Academy of Ophthalmology. Conjunctivitis PPP. 2023.
    • CDC. Conjunctivitis (Pink Eye). 2024.
    • Ministerio da Saúde. Protocolo de atenção às doenças oculares. 2025.

    Aviso: Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Em caso de sintomas, procure um profissional de saúde.

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