Conjuntivite: tipos, sintomas, tratamento e prevenção
Dra. Ana Oliveira
Clínica Geral — CRM 12345
A conjuntivite é uma das condições oculares mais comuns no mundo e, no Brasil, um dos principais motivos de consulta em pronto-socorro e unidades básicas de saúde. Caracterizada pela inflamação da conjuntiva — a membrana transparente que reveste a parte branca do olho e o interior das pálpebras — ela causa vermelhidão, lacrimejamento e, dependendo do tipo, secreção ocular de características bem distintas.
Entender o tipo de conjuntivite que você tem é fundamental porque os tratamentos são completamente diferentes: a conjuntivite viral não tem cura com colírios antibióticos (e usá-los sem indicação é prejudicial), a conjuntivite bacteriana responde bem a antibióticos tópicos, e a conjuntivite alérgica exige antihistamínicos e evitar o alérgeno.
Os três principais tipos de conjuntivite:
1. Conjuntivite Viral
É a forma mais comum, representando cerca de 80% dos casos de conjuntivite aguda. É altamente contagiosa e causada frequentemente pelo adenovírus, mas também pode ser causada por herpes simplex (mais grave), enterovírus e o próprio SARS-CoV-2 (COVID-19).
Características:
- Início em um olho, frequentemente se espalhando para o outro em 1-2 dias
- Secreção aquosa (lacrimejamento intenso), raramente purulenta
- Vermelhidão intensa
- Sensação de areia nos olhos
- Fotofobia (sensibilidade à luz) em casos mais intensos
- Frequentemente associada a quadro de resfriado ou gripe (infecção das vias aéreas superiores)
- Pode haver inchaço dos gânglios linfáticos na frente do ouvido (pré-auricular)
Duração: 7 a 14 dias para resolução espontânea. Não existe tratamento antiviral específico (exceto para herpes ocular). O tratamento é sintomático: compressas frias, lágrima artificial e higiene rigorosa.
2. Conjuntivite Bacteriana
Mais comum em crianças do que em adultos. Os principais agentes são Staphylococcus aureus, Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae e Moraxella catarrhalis. Em recém-nascidos e adolescentes sexualmente ativos, considerar também Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis.
Características:
- Secreção purulenta (amarela ou esverdeada), abundante
- Pálpebras coladas pela manhã ("olho colado")
- Vermelhidão em toda a conjuntiva
- Menos lacrimejamento e mais secreção do que na viral
- Geralmente começa em um olho mas pode afetar os dois
- Sem sintomas sistêmicos associados
Tratamento: colírios ou pomadas antibióticas (tobramicina, ciprofloxacino, sulfacetamida) por 5 a 7 dias. Na maioria dos casos leves, a conjuntivite bacteriana resolve espontaneamente em 1 a 2 semanas, mas o antibiótico acelera a cura e reduz a transmissão.
3. Conjuntivite Alérgica
Não é infecciosa, portanto não é contagiosa. Ocorre em pessoas com predisposição alérgica (rinite alérgica, asma, eczema atópico) em contato com alérgenos como pólen, ácaros, pelos de animais, cosméticos ou lentes de contato.
Características:
- Coceira intensa — o sintoma dominante e mais característico
- Lacrimejamento bilateral (os dois olhos ao mesmo tempo)
- Vermelhidão
- Inchaço das pálpebras
- Frequentemente associada a coriza, espirros ou outros sintomas alérgicos
- Piora em estações com alto teor de pólen (primavera)
- Sem secreção purulenta
Tratamento: anti-histamínicos tópicos (colírios de cetirizina, olopatadina, cetotifeno) e orais, estabilizadores de mastócitos, corticoides tópicos em casos graves (sempre com prescrição e acompanhamento médico — o uso prolongado de corticoide ocular aumenta o risco de glaucoma e catarata).
Tabela comparativa: como diferenciar os tipos:
| Característica | Viral | Bacteriana | Alérgica |
|---|---|---|---|
| Secreção | Aquosa | Purulenta (amarela) | Aquosa ou mucosa |
| Coceira | Leve | Leve | Intensa |
| Pálpebras coladas | Raramente | Sim | Não |
| Contagioso | Altamente | Sim | Não |
| Olhos afetados | 1→2 | 1 ou 2 | Ambos |
| Sintomas sistêmicos | Frequentes (gripe) | Raros | Rinite, asma |
| Duração | 7–14 dias | 5–10 dias | Enquanto houver exposição |
Conjuntivite neonatal: atenção especial:
A conjuntivite neonatal (ophthalmia neonatorum) ocorre nas primeiras 4 semanas de vida e pode ser causada por Neisseria gonorrhoeae ou Chlamydia trachomatis adquiridos durante o parto. É uma emergência oftalmológica: a forma gonocócica pode causar perfuração corneal e cegueira em 24-48 horas se não tratada. Todo recém-nascido com secreção ocular deve ser avaliado por médico imediatamente.
Quando buscar atendimento médico:
A maioria das conjuntivites pode ser avaliada por telemedicina — o médico consegue orientar o tratamento baseado na descrição dos sintomas e, em alguns casos, com fotos do olho afetado. Mas procure atendimento presencial e com urgência se:
- Dor ocular intensa (não apenas desconforto)
- Perda ou redução da visão
- Fotofobia intensa
- Lesão na córnea visível (opacidade, mancha branca)
- Suspeita de conjuntivite por herpes (úlceras ao redor dos olhos)
- Uso de lentes de contato (risco aumentado de úlcera de córnea)
- Recém-nascido com secreção ocular
- Piora após 3-4 dias de tratamento
- Imunodeprimidos
Prevenção e cuidados para não transmitir:
A conjuntivite viral e bacteriana são altamente contagiosas. Para evitar transmissão:
- Lavar as mãos com frequência — especialmente após tocar nos olhos
- Não compartilhar toalhas, travesseiros, maquiagem ocular ou colírios
- Trocar a fronha diariamente durante o episódio
- Evitar coçar os olhos — a coceira espalha o vírus para outros objetos
- Afastamento escolar e do trabalho por pelo menos 24 horas após início do tratamento (bacteriana) ou enquanto houver secreção intensa (viral)
- Descartar lentes de contato utilizadas durante o episódio
- Não usar colírios "vermelhidão" (vasoconstritores) por mais de 3 dias — causam efeito rebote
Uso de colírios sem prescrição — riscos:
Muitas pessoas recorrem a colírios antibióticos "por conta própria" ao sinal de olho vermelho. Isso é problemático por duas razões:
- Conjuntivite viral (80% dos casos) não responde a antibióticos — você usa o medicamento sem necessidade, gasta dinheiro e contribui para resistência bacteriana
- Colírios com corticoide usados sem prescrição podem agravar infecções herpéticas e aumentar a pressão intraocular
A avaliação médica — mesmo que online — permite identificar o tipo de conjuntivite e indicar o tratamento correto.
Telemedicina para conjuntivite:
A teleconsulta é especialmente útil para conjuntivite por sua praticidade. Com uma boa descrição dos sintomas e fotos do olho afetado, o médico consegue:
- Diferenciar viral, bacteriana e alérgica na maioria dos casos
- Prescrever colírio adequado quando necessário
- Orientar medidas de higiene e prevenção de contágio
- Indicar se há necessidade de avaliação presencial com oftalmologista
Consulte um médico online agora para avaliação rápida e orientação sobre o tratamento correto da sua conjuntivite.
Referências Bibliográficas:
- Azari AA, Barney NP. Conjunctivitis: a systematic review of diagnosis and treatment. JAMA. 2013.
- Sociedade Brasileira de Oftalmologia. Conjuntivite: diagnóstico e tratamento. 2024.
- American Academy of Ophthalmology. Conjunctivitis PPP. 2023.
- CDC. Conjunctivitis (Pink Eye). 2024.
- Ministerio da Saúde. Protocolo de atenção às doenças oculares. 2025.
Aviso: Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Em caso de sintomas, procure um profissional de saúde.