Asma infantil: como reconhecer, tratar a crise e controlar a doença
Dr. Rafael Santos
Pediatra — CRM 45678
A asma brônquica é a doença crônica mais comum na infância, afetando cerca de 20% das crianças brasileiras — aproximadamente 6 milhões de menores de 14 anos. É a principal causa de internação pediátrica evitável e responsável por muitas ausências escolares e noites sem dormir para as famílias. A boa notícia: a asma bem controlada permite que a criança leve uma vida completamente normal, pratique esportes e estude sem limitações. O problema é que ainda existe muito desconhecimento sobre como reconhecer e tratar adequadamente a doença.
O que é asma brônquica e por que causa tosse:
A asma brônquica é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas caracterizada por obstrução reversível ao fluxo de ar. As crianças com asma têm vias aéreas hipersensíveis que reagem de forma exagerada a estímulos (alérgenos, infecções, exercício, ar frio), provocando inflamação, edema da mucosa, broncoespasmo e produção de muco.
A tosse é o sintoma cardinal da asma — especialmente a tosse seca noturna e a tosse desencadeada por exercício físico. A asma brônquica está relacionada ao grupo das doenças respiratórias obstrutivas que incluem crupe, coqueluche e alergias respiratórias, com sobreposição frequente de sintomas.
Por que a asma causa tosse persistente:
A tosse é o principal sintoma de asma brônquica — não a chieira (sibilância), que pode estar ausente especialmente em crianças pequenas. A asma é a principal causa de tosse crônica em crianças acima de 5 anos. O refluxo gastroesofágico também causa tosse crônica e frequentemente coexiste com a asma.
Gatilhos da asma — o que desencadeia as crises:
Identificar e evitar os gatilhos é parte fundamental do controle:
- Ácaros da poeira doméstica (Dermatophagoides) — o principal gatilho no Brasil
- Alérgenos de animais (pelo de gato, cachorro, barata)
- Alergias respiratórias a fungos, pólen e outros aeroalérgenos
- Infecções virais (rinovírus é o principal gatilho em crianças pequenas)
- Exercício físico intenso (asma induzida por exercício)
- Ar frio e seco
- Poluição atmosférica e tabagismo passivo
- Emoções intensas, choro ou riso prolongado
- Refluxo gastroesofágico não controlado
Sintomas de asma na criança — como reconhecer:
- Chiado no peito (sibilância) — som agudo ao respirar
- Tosse seca, especialmente à noite e de madrugada
- Falta de ar com atividade física ou em repouso nas crises
- Sensação de aperto no peito
- Tosse após risada, choro ou exercício
- Sintomas que pioram de madrugada ou ao acordar
Em bebês e crianças pequenas, a sibilância recorrente com infecções virais pode indicar asma — mas o diagnóstico formal é mais difícil abaixo dos 5 anos.
Diagnóstico da asma infantil:
Acima de 5 anos: espirometria (medida do fluxo de ar) com teste de broncodilatador. Reversibilidade ≥ 12% confirma broncoespasmo reversível típico da asma.
Em menores de 5 anos: diagnóstico clínico baseado em padrão de sintomas, resposta ao broncodilatador e exclusão de outras causas.
A pediatria é a especialidade de referência para asma infantil. Pneumologista pediátrico e alergologista são especialistas de suporte para casos moderados a graves.
Tratamento da asma — dois pilares:
Broncodilatador de resgate (tratamento da crise): O antitussígeno e os antibióticos NÃO tratam a crise de asma — quem trata é o broncodilatador (salbutamol/fenoterol via inalatória). A asma brônquica é tratada com broncodilatadores beta-2 agonistas de ação rápida na crise.
Uso correto da bombinha (espaçador + inalador):
- Agitar bem o inalador
- Conectar ao espaçador (câmara espaçadora) com máscara para crianças pequenas
- Acionar 1 jato dentro do espaçador
- A criança respira normalmente pelo espaçador por 5 a 10 ciclos
- Repetir se necessário (até 3 jatos com intervalo de 30 segundos)
Corticosteroide inalatório (controle crônico): A asma brônquica é tratada com corticosteroide inalatório (budesonida, fluticasona, beclometasona) de forma contínua — não apenas nas crises. É o pilar do tratamento preventivo e reduz a inflamação crônica das vias aéreas. Muitas famílias têm medo do "cortisona inalatório", mas a dose é mínima — muito menor que o corticosteroide oral — e os benefícios superam amplamente os riscos quando usado corretamente.
Sinais de crise grave — vá ao pronto-socorro:
- Falta de ar intensa mesmo após uso da bombinha
- Lábios ou unhas roxos (cianose)
- A criança não consegue falar frases completas
- Retrações (afundamento entre as costelas ao respirar)
- Frequência respiratória muito aumentada
- Sem melhora após 2 a 3 doses do broncodilatador com intervalo de 20 minutos
Teleconsulta para controle da asma:
A teleconsulta é ideal para: reavaliação de rotina do controle, ajuste de dose do corticosteroide inalatório, renovação de receita do broncodilatador, orientação sobre técnica inalatória, plano de ação por escrito e identificação de gatilhos.
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Perguntas frequentes:
Criança com asma pode fazer esporte? Sim — e deve! A atividade física é fundamental para o desenvolvimento. Com controle adequado, a maioria das crianças com asma pode praticar qualquer esporte. Broncodilatador antes do exercício é indicado quando há asma induzida por exercício.
Asma tem cura? Em muitas crianças, os sintomas melhoram ou desaparecem na adolescência — especialmente quando a asma leve é bem controlada. Em outros, persiste na vida adulta. Não é "cura", mas remissão.
Antibióticos ajudam na crise de asma? Não. Antibióticos não tratam broncoespasmo. A maioria das crises de asma é desencadeada por vírus — antibióticos não agem em vírus. Usar antibiótico na asma sem indicação clínica é erro e contribui para resistência bacteriana.
Referências bibliográficas:
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Asma na infância: Guia Prático de Atualização. 2023.
- GINA (Global Initiative for Asthma). Global Strategy for Asthma Management and Prevention. 2025.
- Bacharier LB et al. Diagnosis and treatment of asthma in childhood. Allergy. 2008.
Aviso: Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Em caso de sintomas, procure um profissional de saúde.