Saúde Geral

    Apneia do sono: diagnóstico, riscos e tratamento com CPAP

    DC

    Dr. Carlos Mendes

    Neurologista — CRM 23456

    21 Abr 20268 min de leitura
    Revisado por Dr. Carlos Mendes Neurologista — CRM 23456
    Apneia do sono: diagnóstico, riscos e tratamento com CPAP

    A Apneia Obstrutiva do Sono (AOS) é um dos distúrbios do sono mais prevalentes e subdiagnosticados do mundo. No Brasil, estima-se que 32% dos adultos — cerca de 50 milhões de pessoas — têm algum grau de apneia do sono, mas a maioria não sabe. A condição causa insônia, sonolência diurna excessiva, prejuízo cognitivo e, nos casos graves, aumenta significativamente o risco de hipertensão, doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e obesidade. Neste artigo, você vai entender como funciona a apneia, como é diagnosticada e quais são os tratamentos disponíveis.

    O que é apneia obstrutiva do sono:

    A AOS ocorre quando a musculatura da garganta relaxa durante o sono e bloqueia repetidamente a passagem de ar — por 10 segundos ou mais — causando quedas na saturação de oxigênio no sangue. Cada episódio provoca um micro-despertar (que o paciente geralmente não percebe consciente) e fragmente o sono, impedindo as fases reparadoras profundas (sono NREM e REM).

    A gravidade é classificada pelo índice de apneia-hipopneia (IAH):

    • Leve: 5 a 15 episódios por hora
    • Moderada: 15 a 30 episódios por hora
    • Grave: mais de 30 episódios por hora

    Pacientes com AOS grave podem ter centenas de episódios por noite, sem nunca atingir o sono profundo restaurador.

    Como a apneia do sono causa insônia e outros problemas:

    A Apneia Obstrutiva do Sono causa insônia — especialmente a insônia de manutenção (acordar várias vezes durante a noite). Mas os efeitos vão muito além:

    • Causa obesidade — e a obesidade, por sua vez, agrava a apneia (gordura ao redor da faringe estreita a via aérea) — um ciclo bidirecional
    • Causa hipertensão — os episódios de hipóxia noturna ativam o sistema nervoso simpático e elevam a pressão cronicamente
    • Causa doenças cardiovasculares — apneia grave não tratada aumenta 2 a 3 vezes o risco de infarto e AVC
    • Causa diabetes tipo 2 — a hipóxia intermitente prejudica a sensibilidade à insulina
    • Causa déficit cognitivo — dificuldade de concentração, lapsos de memória e irritabilidade
    • Causa depressão e ansiedade — o sono fragmentado altera a regulação emocional

    A Síndrome das Pernas Inquietas frequentemente coexiste com a AOS e também causa insônia, exacerbando os problemas do sono.

    Sinais e sintomas — quando suspeitar de apneia:

    O ronco alto e frequente é o sinal mais conhecido, mas não o único. Suspeite de AOS quando houver:

    • Ronco intenso, especialmente se irregular ou com pausas
    • Relato do parceiro de paradas respiratórias durante o sono ("para de respirar")
    • Sonolência diurna excessiva — adormecer em situações inapropriadas (reuniões, dirigindo)
    • Acordar com sensação de sufocamento ou coração acelerado
    • Cefaleia matinal (pela hipóxia noturna)
    • Acordar com a boca seca ou dor de garganta
    • Noctúria (urinar várias vezes à noite)
    • Irritabilidade, dificuldade de concentração e memória
    • Diminuição da libido

    Fatores de risco para apneia do sono:

    • Obesidade — o principal fator de risco modificável (IMC > 30 aumenta muito o risco)
    • Pescoço grosso (> 43 cm em homens, > 38 cm em mulheres)
    • Gênero masculino (mulheres têm risco similar após a menopausa)
    • Idade (risco aumenta com a idade)
    • Estrutura anatômica craniofacial (mandíbula recuada, palato alto, amígdalas grandes)
    • Tabagismo e álcool (relaxam ainda mais a musculatura faríngea)
    • Histórico familiar de AOS
    • Hipotireoidismo não tratado

    Diagnóstico: polissonografia e monitoramento domiciliar:

    O padrão-ouro para diagnóstico é a polissonografia (PSG) — exame realizado em laboratório de sono que monitora ondas cerebrais, movimentos oculares, tônus muscular, saturação de oxigênio, fluxo aéreo e ronco durante toda a noite.

    Para casos de AOS moderada a grave sem comorbidades significativas, a poligrafiarespiratória domiciliar (monitor portátil) é uma alternativa válida e mais acessível, podendo ser solicitada via teleconsulta.

    A Medicina do Sono é a especialidade dedicada a esses distúrbios. Neurologistas, pneumologistas e otorrinolaringologistas também manejam a apneia. O diagnóstico pode ser iniciado com clínico geral ou via teleconsulta.

    Tratamento da apneia do sono:

    CPAP (Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas): É o tratamento padrão-ouro para AOS moderada a grave. O aparelho envia ar pressurizado através de uma máscara nasal ou facial, mantendo a via aérea aberta durante o sono. Melhora imediatamente a qualidade do sono, reduz a sonolência diurna e os riscos cardiovasculares.

    A adesão é o principal desafio — cerca de 30 a 50% dos pacientes abandonam o CPAP. Adaptação gradual, ajuste da máscara e suporte do médico do sono são fundamentais.

    Aparelhos intraorais (dispositivos de avanço mandibular): Opção para AOS leve a moderada, especialmente em pacientes que não toleram o CPAP. Reposicionam a mandíbula para frente, ampliando a via aérea.

    Tratamento cirúrgico: Em casos selecionados (amígdalas muito grandes, malformações anatômicas, falha do CPAP). Opções incluem uvulopalatofaringoplastia (UPPP), cirurgia ortognática e, mais recentemente, estimulação do nervo hipoglosso.

    Medidas comportamentais (sempre combinadas ao tratamento principal):

    • Perda de peso — pode curar a apneia leve e reduzir significativamente a moderada/grave
    • Evitar álcool e sedativos (especialmente antes de dormir)
    • Posicionamento (evitar deitar de costas — apneia posicional)
    • Parar de fumar
    • Tratar o hipotireoidismo e outras causas secundárias

    Teleconsulta e apneia do sono:

    A avaliação inicial, solicitação de polissonografia domiciliar, ajuste do CPAP e acompanhamento de rotina podem ser feitos por teleconsulta. A Medicina do Sono online é uma das áreas de maior crescimento na telemedicina.

    Consulte especialista em sono pela Pro Life — sem fila, com acesso a polissonografia domiciliar e acompanhamento personalizado do tratamento.

    Perguntas frequentes:

    Apneia do sono tem cura? Em muitos casos sim — especialmente com perda de peso significativa em pacientes obesos. O CPAP controla os sintomas mas não "cura"; ao retirar o aparelho, os episódios retornam.

    Criança pode ter apneia? Sim. Na criança, a causa mais comum são amígdalas e adenoides aumentadas. O tratamento cirúrgico frequentemente é curativo nesse grupo.

    Posso dirigir com sonolência por apneia não tratada? Não. A sonolência excessiva aumenta muito o risco de acidentes. Pacientes com AOS grave não tratada devem evitar dirigir e atividades de risco até iniciar tratamento eficaz.

    Referências bibliográficas:

    • Associação Brasileira do Sono. Consenso Brasileiro de Apneia Obstrutiva do Sono. 2023.
    • Peppard PE et al. Increased Prevalence of Sleep-Disordered Breathing in Adults. Am J Epidemiol. 2013.
    • AASM. Clinical Practice Guideline for Diagnostic Testing for Adult Obstructive Sleep Apnea. 2017.

    Aviso: Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Em caso de sintomas, procure um profissional de saúde.

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