Saúde Infantil

    Alergias respiratórias em crianças: diagnóstico e convivência

    DR

    Dr. Rafael Santos

    Pediatra — CRM 45678

    21 Abr 20267 min de leitura
    Revisado por Dr. Rafael Santos Pediatra — CRM 45678
    Alergias respiratórias em crianças: diagnóstico e convivência

    As alergias respiratórias — principalmente a rinite alérgica e a asma — afetam cerca de 30% das crianças brasileiras e são uma das causas mais comuns de tosse crônica, chiado no peito e dificuldade respiratória na infância. O diagnóstico precoce e o controle adequado dos alérgenos fazem diferença enorme na qualidade de vida da criança e da família.

    As alergias respiratórias causam tosse:

    As alergias respiratórias causam tosse crônica de duas formas: diretamente, por irritação e inflamação das vias aéreas; e indiretamente, por gotejamento pós-nasal (secreção da rinite que escorre para a garganta e estimula a tosse). A tosse alérgica é seca, pior à noite e de madrugada, e costuma ser acompanhada de espirros, coriza clara e olhos vermelhos.

    Rinite alérgica — a mais comum:

    A rinite alérgica é a doença alérgica mais prevalente na infância — afeta 25-30% das crianças. É causada por hipersensibilidade a alérgenos inalatórios (ácaros, pelos de animais, pólen, mofo). Sintomas clássicos: espirros em salva, coriza aquosa, obstrução nasal, prurido nasal, olhos vermelhos (rinoconjuntivite).

    Impacto frequentemente subestimado: crianças com rinite não controlada dormem mal (obstrução nasal), têm déficit de atenção e rendimento escolar prejudicado, e apresentam 3x mais risco de desenvolver asma.

    A rinite alérgica causa asma:

    A rinite alérgica causa asma — ou pelo menos é um fator de risco importante para seu desenvolvimento. Essa relação é chamada de "via aérea única" (united airway): a inflamação alérgica afeta todo o trato respiratório, de cima a baixo. Tratar a rinite adequadamente reduz as crises de asma.

    Asma alérgica na infância:

    A asma infantil é a doença crônica mais comum na infância. Na maioria das crianças, é de origem alérgica (asma extrínseca). Sintomas: chiado (sibilância), tosse seca (especialmente noturna), aperto no peito e falta de ar. O diagnóstico é clínico + espirometria (em maiores de 5 anos) + teste de broncoprovocação.

    Alérgenos mais comuns em crianças brasileiras:

    1. Ácaros da poeira doméstica (Dermatophagoides pteronyssinus) — mais prevalente no Brasil pelo clima úmido e quente
    2. Pelos e proteínas de animais (cão, gato, pássaros)
    3. Fungos e mofo (Alternaria, Cladosporium)
    4. Baratas (proteína fecal — importante em áreas urbanas)
    5. Pólen (gramíneas, árvores) — menos prevalente que na Europa, mas relevante em algumas regiões

    Diagnóstico:

    • Clínico: história detalhada (quando piora, quais os gatilhos, histórico familiar de atopia)
    • Teste de punctura (Skin Prick Test): aplicação de extratos alergênicos na pele — resultado em 15-20 min. Principal método diagnóstico de alergia.
    • IgE específica sérica (RAST/ImmunoCAP): dosagem de anticorpos IgE para alérgenos específicos no sangue. Útil quando o teste de pele não é possível.
    • Hemograma: eosinofilia sugere atopia
    • Espirometria: avalia função pulmonar e reversibilidade com broncodilatador (diagnóstico de asma em >5 anos)

    O alergologista é o especialista indicado para esse diagnóstico.

    Controle ambiental — reduzindo alérgenos:

    Para ácaros:

    • Capas antiácaro em colchões, travesseiros e edredons
    • Lavar roupas de cama semanalmente com água quente (>55°C)
    • Evitar tapetes, cortinas de tecido e bichos de pelúcia no quarto
    • Manter umidade do ar abaixo de 50% (desumidificador)
    • Limpar com pano úmido (não vassoura — levanta ácaros)

    Para animais:

    • Manter fora do quarto da criança (idealmente fora de casa)
    • Banho do animal 2x/semana reduz alérgeno em 90%

    Para mofo:

    • Ventilar bem a casa, especialmente banheiro e cozinha
    • Reparar infiltrações

    Tratamento:

    Rinite alérgica:

    • Anti-histamínicos orais (cetirizina, loratadina, fexofenadina) — alívio dos sintomas
    • Corticosteroides intranasais (fluticasona, mometasona) — tratamento de base mais eficaz
    • Imunoterapia alérgica (vacina de alergia): única forma de modificar a doença a longo prazo

    Asma:

    • Broncodilatadores de curta duração (salbutamol/albuterol) — resgate de crise
    • Corticosteroides inalatórios (budesonida, fluticasona) — controle diário
    • Antileucotrienos (montelucaste) — adjuvante, especialmente em asma + rinite
    • Imunoterapia: eficaz para asma alérgica leve a moderada

    Teleconsulta para alergias respiratórias:

    A teleconsulta com pediatra ou alergologista é adequada para avaliação inicial e ajuste de tratamento em crianças com rinite ou asma estável. Consulte pediatra pela Pro Life — disponível 24h para avaliação das alergias do seu filho.

    Referências:

    • Sociedade Brasileira de Pediatria. Rinite Alérgica na Criança. 2023.
    • GINA Report. Global Strategy for Asthma Management. 2024.
    • ARIA Guidelines. Allergic Rhinitis and its Impact on Asthma. 2020.

    Aviso: Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Em caso de sintomas, procure um profissional de saúde.

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